Lesão de Estêvão acende alerta para impactos no joelho e na mobilidade, dizem especialistas


A lesão recente de Estêvão Willian, jovem destaque da seleção brasileira, as vésperas da Copa do Mundo, trouxe à tona uma preocupação recorrente na medicina esportiva: até que ponto um problema muscular na coxa pode afetar outras articulações, como o joelho, e comprometer a mobilidade do atleta. Especialistas explicam que a relação entre essas estruturas é direta e exige atenção para evitar agravamentos.

Carlo Ancelotti fez sua estreia à frente da Seleção Brasileira em junho, em partida contra o Equador, e, desde então, já realizou três listas de convocados. Em todas elas, o jovem Estêvão marcou presença. Em alta, o atacante também assumiu a artilharia da Amarelinha sob o comando de Ancelotti. Além disso, Estêvão foi reconhecido como o jogador brasileiro mais valioso do mundo em um estudo recente do Observatório de Futebol do CIES. Com valor estimado entre 110 e 128 milhões de euros, o atleta aparece com ampla vantagem no topo do ranking nacional e se firma como o principal nome brasileiro no mercado internacional.

A participação de Estêvão na Copa do Mundo de 2026 ainda é uma incógnita e está ameaçada. A lesão sofrida em 18 de abril de 2026, durante a derrota por 1 a 0 para o Manchester United pela Premier League é grave de grau 4 na coxa direita, com ruptura muscular, o que levanta dúvidas sobre sua recuperação dentro do prazo para o torneio. Ele decidiu seguir um tratamento conservador, sem cirurgia, na tentativa de encurtar o tempo de retorno e manter viva a chance de estar na competição.

De acordo com Theda Manetta da Cunha Suter, professora do curso de Fisioterapia da Wyden, a musculatura da coxa, especialmente o quadríceps e os isquiotibiais, desempenha papel fundamental na estabilização do joelho. “Quando há uma lesão nessa região, o corpo tende a compensar o movimento, o que pode sobrecarregar o joelho e aumentar o risco de dor, instabilidade e até novas lesões”, explica.

Segundo a especialista, esse tipo de compensação é comum em atletas de alto rendimento, que muitas vezes retornam às atividades antes da recuperação completa. “A falta de equilíbrio muscular pode alterar a biomecânica do movimento, impactando diretamente a articulação do joelho”, acrescenta.

Na mesma linha, a Dra. Gisleika Bianco, médica ortopedista e professora no IDOMED (Instituto de Educação Médica), destaca que lesões musculares na coxa não devem ser analisadas de forma isolada, especialmente em atletas de alto desempenho. “Existe uma cadeia cinética envolvida no movimento. Quando há uma disfunção na musculatura da coxa, o corpo automaticamente adapta o padrão biomecânico, o que pode gerar sobrecarga no joelho, principalmente em estruturas como ligamentos e cartilagem”, explica.

A especialista alerta que esse tipo de compensação pode evoluir para quadros mais complexos se não houver manejo adequado. “É comum observarmos, nesses casos, aumento do risco de lesões secundárias, como tendinites, condropatias ou até lesões ligamentares, justamente pela alteração na forma de correr, frear ou mudar de direção”, afirma.

Segundo a ortopedista, o acompanhamento clínico deve ir além do alívio dos sintomas. “O tratamento precisa considerar o reequilíbrio muscular, o controle neuromuscular e a reeducação do movimento. Retornos precoces, sem esses cuidados, aumentam significativamente o risco de reincidência e de lesões associadas”, completa.

Para a população em geral, o alerta também é válido. Mesmo fora do esporte profissional, dores musculares maltratadas podem evoluir para problemas articulares mais complexos. “Qualquer desconforto persistente deve ser avaliado por um profissional de saúde. A prevenção ainda é o melhor caminho”, finaliza Theda.

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