Vinhedo experimental projeta futuro da Cooperativa Garibaldi com foco em inovação e adaptação climática

A história da Cooperativa Vinícola Garibaldi, ao longo de seus 95 anos, tem sido marcada pela combinação entre tradição e capacidade de adaptação. Em um setor diretamente impactado pelas variações climáticas e pela evolução do consumo, a inovação no campo ganhou status de futuro do negócio. E é nesse contexto que ganha protagonismo o vinhedo experimental mantido pela cooperativa. Organizações como a cooperativa têm se dedicado, diante de adversidades como alterações no regime de chuvas, variações térmicas e incidência de doenças, a buscarem novas variedades capazes de manter não apenas a produtividade, mas também a qualidade e a identidade enológica. Na Cooperativa Vinícola Garibaldi, essa visão se materializou em 2019, com a implantação de um vinhedo experimental dedicado à avaliação de novas cultivares no município de Santa Tereza. Em uma área de cerca de quatro hectares, aproximadamente 60 variedades de uvas, de países como Portugal, Itália, Espanha, Geórgia, Ucrânia, Romênia, Grécia, Hungria e República Tcheca, são cultivadas em condições controladas para análise de desempenho.

O funcionamento do projeto envolve diferentes etapas. Inicialmente, são observados aspectos agronômicos como adaptação ao terroir da Serra Gaúcha, resistência a doenças, comportamento produtivo e resposta às variações climáticas. Em alguns casos, uma mesma variedade é conduzida em diferentes sistemas, como espaldeira e latada, permitindo comparações mais precisas sobre rendimento e qualidade. Entre os focos do estudo estão as chamadas uvas PIWI, resultado de cruzamentos entre espécies Vitis, combinando características excepcionais para oferecer maior resistência a doenças fúngicas e qualidade vitícolas. Esse tipo de uva vem ganhando espaço globalmente por reduzir a necessidade de intervenções no vinhedo e ampliar a sustentabilidade da produção.

A etapa seguinte do processo ocorre na vinícola, por meio das microvinificações. A técnica permite transformar pequenas quantidades de uvas em vinho. O objetivo é avaliar detalhadamente características como aroma, estrutura, acidez e potencial de mercado. Na cooperativa, esse trabalho começou em 2020 e hoje envolve 17 variedades oriundas do vinhedo experimental. “O objetivo é verificar a adaptação ao terroir local e às mudanças climáticas e, posteriormente, o potencial enológico dessas variedades, considerando a resistência a doenças e produtividade adequada, possibilitando assim opções diferentes das que já existem”, explica o gerente de Assistência Técnica, Evandro Bosa. Já sob a ótica enológica, o processo permite identificar quais variedades têm condições de se transformar em novos produtos. “Estamos avaliando não apenas o comportamento no campo, mas também o perfil sensorial e o alinhamento com o mercado. A partir disso, conseguimos entender quais uvas têm potencial real para originar novos rótulos”, destaca o enólogo Ricardo Morari.

Esse modelo de pesquisa aplicada apresenta não apenas resultados concretos, mas também reconhecimento do mercado. Uvas antes testadas no vinhedo experimental ganharam presença no cultivo dos cooperados para se tornarem produtos. O primeiro deles foi o espumante Viognier. Exemplar de paladar leve e equilibrado, a bebida foi lançada em 2023 e faturou importantes distinções, como a medalha de ouro no concurso espanhol Zarcillo International Wine Awards em 2025. O vinhedo experimental também ajudou a cooperativa a agregar maior exclusividade em seu portólio. Dois vinhos inéditos, brancos, foram lançados oriundos dos testes de cepas pouco usuais. Em 2024, o mercado brasileiro foi premiado com o Pálava, cujas uvas são originárias da República Tcheca, e, em 2025, com o Irsai Oliver, varietal obtido de cultivar da Hungria. Ambos são elaborados apenas pela Cooperativa Vinícola Garibaldi no mercado brasileiro. Elegante e destacado por suas camadas aromáticas, o Pálava ganhou medalha de ouro no Concours Mondial de Bruxelles 2025, na China. Também de perfil aromático marcante, o Irsai Oliver traz aromas primários moscatéis, sendo equilibrado, fresco e harmônico.

Ao investir em pesquisa desde a origem da matéria-prima, a Cooperativa Vinícola Garibaldi amplia sua capacidade de adaptação e, mais do que testar novas variedades, se prepara para os desafios futuros da vitivinicultura, preservando qualidade e identidade.


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