Intolerantes à lactose, glúten e diabéticos devem redobrar atenção com alimentos típicos da Páscoa

Com a chegada da Páscoa, o consumo de chocolates, ovos e doces típicos dessa sazonalidade aumenta significativamente e, com ele, também crescem os cuidados necessários para pessoas com restrições alimentares. Especialistas alertam que, para intolerantes à lactose, ao glúten ou pessoas com condições como diabetes, o excesso pode trazer prejuízos importantes à saúde, merecendo atenção e cuidados redobrados para aproveitar o período do ano sem problemas.

De acordo com o médico gastroenterologista Litelton Carvalho, do IDOMED, muitos chocolates combinam altos níveis de açúcar com ingredientes como leite e traços de glúten, o que pode desencadear reações no organismo. “O consumo excessivo pode provocar descompensação glicêmica, com picos de glicose no sangue, além de sintomas como mal-estar, fadiga e até desidratação. Também contribui para inflamação, ganho de peso e piora da saúde intestinal”, explica.

Além disso, o corpo costuma dar sinais quando não tolera bem determinados alimentos. Entre os principais sintomas estão inchaço abdominal, gases, náuseas, desconforto digestivo, sonolência após as refeições, sede excessiva e aumento da frequência urinária. Em pessoas com intolerância à lactose ou ao glúten, também podem surgir diarreia, constipação e dores abdominais. “Esses sinais devem servir de alerta para reduzir o consumo e, se persistirem, buscar avaliação médica”, orienta o médico.

A professora Isaura de Sá, do curso de Nutrição do Unifacid Wyden, destaca que no caso da alergia à proteína do leite de vaca (APLV) a atenção deve ser redobrada. “É uma reação do sistema imunológico e pode causar sintomas que vão de cólicas e refluxo até quadros mais graves, como anafilaxia. Nesses casos, é necessária a exclusão total do leite e derivados”, afirma.

Já para pessoas com doença celíaca, o cuidado com o glúten é essencial. Segundo a nutricionista, mesmo pequenas quantidades podem causar danos ao intestino. “É importante evitar alimentos com trigo, cevada, centeio e observar sempre a rotulagem. Também é preciso atenção à contaminação cruzada, inclusive em produtos artesanais”, explica.

Festividade pode ser aproveitada com equilíbrio

Apesar dos riscos, os especialistas reforçam que é possível aproveitar a Páscoa com segurança e equilíbrio. Hoje, o mercado oferece diversas alternativas, como chocolates sem adição de açúcar, versões com alto teor de cacau (acima de 70%), produtos sem lactose e opções sem glúten. O preparo caseiro também surge como uma estratégia interessante, já que permite maior controle dos ingredientes.

Na hora da escolha, a nutricionista Isaura de Sá recomenda atenção aos rótulos. “Chocolates de melhor qualidade costumam ter listas de ingredientes mais curtas e simples. Também é importante evitar produtos com gordura hidrogenada e altos teores de gordura saturada”, destaca.

Além disso, algumas estratégias ajudam a manter o equilíbrio durante o período, como consumir chocolate em pequenas porções ao longo da semana; priorizar o consumo após refeições principais, o que ajuda a reduzir picos glicêmicos; manter uma boa ingestão de água; e incluir alimentos ricos em fibras, como saladas, para aumentar a saciedade.

Mesmo para quem não possui restrições alimentares, a moderação continua sendo o principal aliado. “Evitar excessos é fundamental. Não é necessário adotar dietas radicais ou comportamentos compensatórios, como pular refeições. O mais importante é manter o equilíbrio e respeitar os sinais do corpo”, reforça a nutricionista.

A orientação dos especialistas é clara: a Páscoa pode, e deve, ser um momento de celebração, mas com escolhas conscientes. Com atenção aos ingredientes, moderação no consumo e, quando necessário, orientação profissional, é possível aproveitar o período sem abrir mão de uma boa saúde.

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