Brasil tem segunda maior fuga de dólares da história em 2025 e cenário acende alerta para a economia, avalia especialista

O Brasil encerrou 2025 com a segunda maior saída líquida de dólares desde o início da série histórica do Banco Central, em 1982. Dados preliminares divulgados no início de janeiro apontam que o fluxo cambial total ficou negativo em US$ 33,316 bilhões, resultado inferior apenas ao registrado em 2019, quando a evasão chegou a US$ 44,768 bilhões.

O resultado expressivo foi puxado principalmente pelo canal financeiro, que acumulou saída líquida de US$ 82,467 bilhões ao longo do ano — a segunda maior marca da história, atrás apenas de 2024. Esse canal reúne investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamento de juros e outras operações financeiras. Já o canal comercial apresentou entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, valor insuficiente para compensar a forte saída de recursos financeiros e abaixo dos patamares observados em anos de pico, como 2007, e também inferior ao registrado em 2024.

Apesar do saldo negativo elevado, o real apresentou valorização ao longo de 2025. O movimento, no entanto, não reflete necessariamente um fortalecimento da economia brasileira. Segundo análise do mestre em Economia e coordenador dos cursos de Gestão do Centro Universitário UniFBV Wyden, Gustavo Delgado, a aparente contradição se explica principalmente pelo cenário externo. “A valorização do real está associada à desvalorização global do dólar, e não a uma melhora consistente dos fundamentos econômicos do Brasil”, avalia.

Para Delgado, embora o número não seja impactante à primeira vista, o quadro é preocupante. Ele destaca que a saída de recursos pelo canal financeiro sinaliza movimentos estratégicos do capital internacional. “Quando há fuga de investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros e pagamento de juros, não estamos falando apenas de menor entrada de dólares. Isso pode indicar falta de confiança no futuro próximo da economia brasileira ou a busca por mercados com melhores retornos e oportunidades”, explica.

Na avaliação do economista, ambos os cenários funcionam como um alerta para o país. “Seja por antecipação a possíveis problemas econômicos internos, seja pela maior atratividade de outras economias, o resultado acende um sinal vermelho. A valorização do real, nesse contexto, não deve ser interpretada como sinal de robustez econômica”, conclui Delgado.

O desempenho do fluxo cambial em 2025 reforça a necessidade de atenção aos fatores que influenciam a confiança do investidor estrangeiro e evidencia que movimentos positivos no câmbio nem sempre refletem melhorias estruturais na economia nacional.

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